Os “UZÁs” e os “Atenienses”. As duas faces opostas de uma mesma moeda


As pessoas dizem que os extremos são perigosos, e mesmo elas não sendo a voz de Deus, esta de fato é uma grande verdade. Basta olhar para o Estado Islâmico, olhar para os católicos e protestantes da Irlanda, olhar para a Inquisição, os Jesuítas matando Índios por não aceitarem o catecismo católico, para os Xiitas e Sunitas e diversos outros grupos para verificarmos que de fato os extremos são perigosos. Não falo das contradições Hegelianas da dialética onde tese, antítese e síntese ganham novas vidas e interpretações no ciclo das superações do pensar democrático, posto que dos contrários surjam novas ideias e conclusões. Falo dos extremos cegos e individualizados, de pessoas que acham que o mundo surgiu e deve girar em torno dos seus umbigos. E quando a ideologia é extremista desta forma, ela se torna extremante perigosa.
Há dois tipos de extremismos religiosos que quero aqui expor, mostrando seus perigos ideológicos. Eu diria que são os “ÚZAs” e os “Atenienses”
A historia de Uzá está registrada em II Samuel 6. Uzá foi um personagem bíblico que estava ajudando a transportar a arca da aliança de volta para Israel quando esta foi roubada pelos filisteus. Era expressamente proibido ao povo em geral olhar ou tocar na arca, acontece que quando a mesma balança no carro de bois (deveria estar sendo carregada nos ombros pelos levitas) Uzá acha de segura-la, demonstrando total desrespeito e afronta pelo sagrado. Resultado; Uzá é fulminado pelo Senhor. Uzá é o típico defensor de Deus, o típico guardião da ortodoxia, tal qual os radicais islâmicos e cristianismo medieval a preocupação dele é defender seu deus e ai de quem o contradiga, ai de quem ouse pensar ou indicar outros caminhos que não os deles e seu infalível método “cartesiano” teológico. Como uma espécie de Cerberus ele julga defender a sã doutrina de toda espécie de hereges. Acontece que... Além dos UZÁs perderem aos poucos a sensibilidade e humanidade defendendo aquilo que julgam como certos (a historia do bom samaritano demonstra isso) O seu modo de pensar a vida é muito mais uma afronta ao divino que uma defesa apologética. Não é difícil que no intuído de querermos ser guardiões e defensores do sagrado, afrontemos mais a Deus do que podemos pensar. Se a nossa teologia não nos torna mais humanos e contemplativos, estaremos seguindo este caminho sem perceber... e sem perceber nos tornando os mesmos fariseus que colocavam julgos que nem mesmo eles conseguiam, no final das contas levar. Posto que a concepção de estar certos muitas vezes serve como um antidoto a ouvir o que o outro tem a dizer.

Já os “Atenienses” são o oposto dos “UZÁs”. E o conceito de "Ateniense" eu retiro da passagem de Atos 17 quando o apóstolo Paulo passando pela cidade de Atenas, resolveu visitar o areópago. O texto afirma que a cidade era tomada pela idolatria. Dom Richardson no livro “Fator Melquisedeque” afirma que havia mais deuses que homens em Atenas. Os Atenienses amavam saber qual era o novo “deus” do momento. O numero de estatuas e novos deuses em Atenas crescia assustadoramente. Paulo conhecia o afã religioso dos Atenienses e se apropriou disso para lhes apresentar o “deus desconhecido”, isso atraiu os que ali estavam como moscas em torrões de açúcar caídos a mesa. Os atenienses são as típicas pessoas sem base ou sustentáculo doutrinário... São levados de um lado a outro para ouvir os novos profetas, bispos e apóstolos. Eles constroem suas ideologias na areia e são mais instáveis que Nitroglicerina pura. No episodio de Paulo nem todos os que se converteram continuaram! Sabe por quê? Porque para estes, o evangelho e simplesmente o evangelho, não é suficiente, precisam de um novo Deus e de uma nova ideologia sagrada de tempos em tempos.
Os atenienses se dariam muito bem em algumas igrejas evangélicas de hoje, que vive a dar ao povo aquilo que chamam de símbolos para despertar a fé (a rosa e/ou sal ungido) mais não despertam a própria fé no individuo. Tornando-os inconstantes em suas crenças e sem bases firmes no evangelho.
Bom... Os extremos estão ai e devem ser evitados....
Como não se tornar parte de uma destas classes? Este é nosso grande desafio!!!
Oração, piedade e contemplação são bons e legítimos caminhos...
Urge a igreja de então, inserida na pós modernidade, sempre se repensar tendo os pés firmes e calcados no evangelho do Cristo.

Pr Valdinei Sobrinho Santana

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Como Ser Cheio do Espirito Santo

Curiosidades da Bíblia

Quem transforma o mundo ?