O sectarismo dos “desigrejados”


Um dos primeiros pais da igreja, chamados também de pais apostólicos, certa vez afirmou uma sentença que iria se imortalizar na historia da igreja cristã. Refiro-me a Cipriano de Cartago que afirmou categoricamente que “Extra ecclesiam nulla salu”, ou seja; “Fora da igreja não há salvação”. Evidentemente que qualquer leitura por mais superficial que seja, iria verificar que a afirmação de Cipriano estava inserida em uma necessidade e realidade local, estava inserida em uma época, cultura, contexto social e religioso, que necessitavam desta sentença. Afirmo por exemplo a sua preocupação com as heresias que estavam varrendo as igrejas nos primeiros séculos e a descentralização do ensino apostólico, minando a fé e firmeza cristã. Portanto o que Cipriano disse serviu a sua época.
No entanto, como apontei acima, toda teologia responde a sua época e situação de necessidade. É Agostinho de Hipona quase que contrariando a frase de Cipriano, vai afirmar “Que há lobos na igreja e ovelhas fora dela” Portanto pergunto... O que Agostinho e Cipriano possuem em comum com o sectarismo dos “desigrejados? – Tudo! Eu diria...
Antes de tudo gostaria de afirmar que tenho reservas com o termo que eu mesmo estou usando, a saber, “desigrejados” Mesmo estando o termo presente no titulo do texto, acredito como Agostinho, que a igreja é igreja onde quer que se encontre e esteja. Seja dentro de Eclésia, nas quatro paredes institucionais, ou em basileia, fora dela. O que me impressiona com o sectarismo dos que saíram e abandonaram a instituição é a critica ao sistema, quando os mesmos criam outro sistema. Me impressiona o fato de que, como o liberalismo teológico, eles são bons em destruir fundamentos ortodoxos, mais geralmente, não oferecem nenhum contraponto ou solução para os problemas por eles apontados. Muito menos querem ou desejam fazer parte da solução. É simplesmente a critica pela critica, a desconstrução pela desconstrução. Destroem bases milenares com a “retro escavadeira” da critica e retorica filosófica, mais não levantam um só bloco com o cimento de uma consciência cristã madura que se instrumentaliza para as mudanças necessárias dentro da igreja.
A maioria dos reformadores não queriam sair de suas igrejas, foram expulsos delas. Desejavam reformar a igreja do lugar de onde os seus pés pisavam. Os desigrejados são sectários porque são intolerantes criticando a intolerância da igreja.
Quero deixar bem claro que minha critica não se dirige a todos os que estão fora da instituição. Não são poucas e rasas que criticas que eu mesmo faço aos meus pares e muitas vezes concordando com quem esta “de fora”. Eu também luto contra as mazelas da ortodoxia de que faço parte. Acredito contudo, como São Francisco que se quiser ver mudança na igreja, não é abandonando-a a própria sorte que iria ver tais mudanças.
Minha preocupação final é que invertam a frase de São Cipriano e comecem a afirmar que “dentro da instituição não há salvação” Se é que já não o tenham feito...
Pr. Valdinei Santana

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